Vivissecção, no!!!Texto de JOSÉ JANTÁLIA recebido por Loco via e-mail:
Abaixo transcrevo a mensagem que, entristecido e decepcionado, enviei à redação
e ao ombudsman da folha. Também enviei o texto ao jornal O Estado de São
Paulo.
A FOLHA ERROULamentável o ponto de vista jornal Folha de São Paulo, externado por intermédio
do editorial "Direito de Animais", publicado na edição de ontem (11/07/05).
Tragicômico, o texto é uma negação do próprio título.
Justificar a utilização de animais em aulas de vivissecção alegando ser a
"natureza cruel", e omitir completa e sumariamente os métodos alternativos,
procedimentos defendidos por uma plêiade de profissionais da medicina mundial,
foi uma irresponsabilidade sem precedentes da Folha. Qualificar de "românticas"
as reivindicações das entidades protetoras de animais, este sim foi um ato, no
mínimo, de deboche e, no máximo, sádico por parte do jornal. Afirmar que "em
breve surjam simuladores realistas o bastante para que se possa prescindir da
utilização de animais", demonstrou um total desconhecimento do jornal com
relação aos métodos "cruelty-free" (sem crueldade), utilizados hoje em larga
escala na Europa e nos Estados Unidos, ou do exposto na obra "A Verdadeira Face
da Experimentação Animal - A Saúde em Perigo", de autoria de Sérgio Greif e
Thales Tréz, formados em Biologia sem o sacrifício de um animal sequer. Ao
contrário de simplesmente escrever que a não utilização de animais vivos "seria
contraproducente para a ciência e a medicina, as quais procuram produzir
benefícios para o conjunto da humanidade", a Folha poderia ter citado o
clássico e notório exemplo da talidomida que, testada em animais e considerada
segura, provocou conseqüências devastadoras nos seres humanos, prova que
existem enormes variações fisiológicas entre ratos, coelhos, cães, porcos, e
seres humanos.
Antes de adjetivar o movimento de proteção animal como romântico, a Folha
poderia ter contado aos leitores como funciona o método de experimentação
animal Draize (aplicados inclusive para produção de cosméticos...), ou então
como são os Testes de Inalação, ou mesmo aqueles quando substâncias são
pingadas nos olhos de coelhos vivos e conscientes, para determinação do grau de
toxidade, sendo que os animais ficam imobilizados por vários dias, sem poder
fechar os olhos. Enganou-se a Folha, e muito, ao publicar que "por enquanto,
estudantes ainda precisam praticar em organismos vivos": a "Solução de Larssem"
poderia ter sido enfocada pelo periódico, que estranhamente não o fez.
Por fim, a "suposta ética" que a Folha deveria pautar a sua precária e obscura
argumentação, credenciou o periódico a também defender a evolução da medicina
por intermédio das macabras experiências praticadas com seres humanos nos
campos de concentração. Afinal, tudo em nome da evolução, não é mesmo?
JOSÉ JANTÁLIA
(segue artigo da Folha)
FOLHA DE S. PAULO 11/07/2005
DIREITO DE ANIMAIS A natureza é cruel. Essa é uma lei universal que pode ser depreendida da simples
observação das relações ecológicas entre espécies e indivíduos. Reconhecer esse
fato deveria ser um pré-requisito para os defensores de direitos dos animais.
Infelizmente, não é, e freqüentemente surgem reivindicações românticas pelo fim
da utilização de animais em pesquisas e no ensino.
Ceder a esses apelos pode ser tentador -principalmente para quem queira agradar
a um grupo grande e influente de defensores de animais-, mas seria
contraproducente para a ciência e a medicina, as quais procuram produzir
benefícios para o conjunto da humanidade.
Exceto pelos sádicos, nenhum cientista aprecia sacrificar cobaias, mas existem
inúmeras situações em que isso é crucial para pesquisas que podem em princípio
resultar em importantes avanços médicos. Um exemplo eloqüente é o de
experimentos que visam a verificar o efeito da injeção de células-tronco sobre
órgãos avariados. Aqui não há como escapar ao sacrifício do animal para
autopsiar o órgão e saber se houve ou não a regeneração pretendida.
O mesmo vale para o ensino médico. Cirurgiões não nascem prontos. É até possível
que em breve surjam simuladores realistas o bastante para que se possa
prescindir da utilização de animais. Mas, por enquanto, estudantes ainda
precisam praticar em organismos vivos.
Reconhecer a necessidade de utilizar animais não significa que devamos
maltratá-los. Em muitos casos, as cobaias podem ser anestesiadas. E o uso de
animais deve ser limitado às situações em que isso seja imprescindível. Só o
que não faz sentido é afirmar que existe um impedimento moral absoluto a todo
tipo de pesquisa que implique sacrifício ou dano de outros seres vivos.
Se levássemos essa suposta ética ao extremo, só poderíamos nos alimentar de
frutas e e outras partes de vegetais cujo consumo não implique a morte do
espécime.
posted by Loco at 1:13 PM